Introdução à Arquitetura Corporativa


Conforme a ISO/IEC 42010:2007, arquitetura pode ser definida como "a organização fundamental de um sistema, composto de seus componentes, seus relacionamentos internos e com o ambiente, bem como os princípios que governam o seu desenho e evolução", numa tradução livre de:

“The fundamental organization of a system, embodied in its components, their relationships to each other and the environment, and the principles governing its design and evolution.”

Como vemos, a arquitetura neste conceito é bem mais que a estrutura do sistema (neste caso compreendido como uma organização), ela compreende também as interrelações internas e externas e também como esta organização deve evoluir no tempo, contemplando portanto também uma visão de futuro.

Este mesmo conceito também pode ser visto no Open Group, responsável pelo framework TOGAF que será visto em outro item desta wiki:

"The structure of components, their inter-relationships, and the principles and guidelines governing their design and evolution over time".

A estrutura interna das organização está muito relacionada com o setor em que atua. Setores públicos tendem a ser mais hierarquizados que os privados, assim como os setores industriais tendem a ter uma estrutura menos flexível que os setores de serviços, os quais fazem mais uso de estruturas matriciais. Além disso, a abrangência física e tamanho, quantidade de áreas de atuação também são fatores importantes. O ambiente institucional (leis e costumes), regras estabelecidas e a estabilidade destas, também tem influência preponderante.

Os relacionamentos externos são compostos por clientes e fornecedores, parceiros, concorrentes, força de trabalho, acionistas e eventuais outros interessados ou afetados pela atuação da organização (entidades sociais, ONGs, etc.).

O desenvolvimento de uma arquitetura corporativa pode ser aplicado a diversos níveis de uma organização. Desde setores de atuação de uma empresa a um conjunto de empresas de um grupo multinacional. Neste sentido, podem ser desenvolvidos modelos em diferentes níveis de abstração de forma a dar uma visão adequada da organização à todos os escalões, do mais operacional ao nível executivo, colaborando para que todos tenham compreensão do contexto em que se encontram e possam trabalhar alinhados com o todo da organização.
A depender da força dos relacionamentos externos, estes podem ser considerados como parte da organização na sua visão mais abrangente da arquitetura.

Estas visões integradas que a arquitetura dispõe aos executivos permitem que se possa detectar e corrigir eventuais desvios (eventuais concorrências internas, atividades desalinhadas do objetivo estratégico, etc) e tem sido destacadas como de grande importância nos processos de readequação ou reestruturação de pequenas e grandes organizações, necessários no atual contexto de globalização que exige uma constante reavaliação da forma de atuação e das empresas, com foco principalmente nos relacionamentos externos (clientes, fornecedores, governos, etc.).

Em geral os frameworks de arquitetura propõe, com variações as seguintes camadas, com bastante foco em TI :

Zachman-4-camadas1.png

No entanto, já se encontram visões um pouco mais abrangentes como a proposta abaixo, que seria uma extensão do TOGAF 9, englobando outros recursos organizacionais além de sistemas de informação e infraestrutura de TI, como as competências que a organização dispõe e necessita (obtido no endereço: http://aogeabrazil.org/?p=1994).
:

Metamodelo-Proposto.png