A arquitetura corporativa pode ser vista como um conjunto formado por quatro camadas: Arquitetura do Negócio, Arquitetura de Aplicações, Arquitetura de Informações e Arquitetura Tecnológica. Neste trabalho, trataremos especificamente da Arquitetura de Negócios.

Um primeiro conceito básico de arquitetura de negócio pode ser entendido como “um conjunto organizado de elementos com claros relacionamentos entre si, que juntos formam um conjunto definido de suas funções. Os elementos representam a estrutura organizacional e comportamental de um sistema de negócios e mostram abstrações dos processos e estruturas chaves no negócio”.

A Arquitetura de Negócios é um processo de análise crítica, diagnóstico, desenvolvimento e implementação de soluções para o refinamento da Gestão Corporativa, fazendo uso estratégico de distintos tipos de ferramentas poderosas e recursos avançados que permitem a interpretação rápida e satisfatória das necessidades apresentadas, conduzindo a decisões firmes e resultados estáveis, auxiliando na comunicação com os diferentes atores do negócio para assegurar uma compreensão comum e consistente.

A arquitetura de negócios pode ser definida também como a representação formal e o gerenciamento ativo do desenho de negócio, a coleção de boas práticas, informações e instrumentos para os profissionais de negócios implementar o desenho de negócios bem como para promover mudanças.

As principais características da arquitetura de negócios podem ser resumidas nos seguintes tópicos:
  • captura o negócio real o mais correto e confiável possível;
  • define uma estrutura que é realista e viável para implantar os objetivos do negócio;
  • foca nos processos e estruturas chaves do negócio em um nível apropriado de abstração; e
  • representa uma visão consensual entre as pessoas que fazem o negócio funcionar.
Para que tais características possam ser úteis à organização é preciso ter uma boa compreensão desses componentes (recursos, processos e regras) e dos seus objetivos. Também é preciso ter condições de avaliar a importância da TI (Tecnologia da Informação) no desenho de toda a arquitetura corporativa.

A Arquitetura de Negócios é, portanto, um instrumento que é utilizado para aprimorar a “gestão corporativa” e a sua correta aplicação melhora a capacidade administrativa, e potencializa o modelo de gestão existente ou em desenvolvimento. Tem por finalidade adequar e otimizar os eventos gerenciais que ocorrem na empresa, emprestando-lhe visibilidade, credibilidade, transparência e criando oportunidades em concordância com os desejos maiores dos seus gestores e atores ou intervenientes (stakeholders).

A Arquitetura de Negócios engloba as melhores técnicas da arquitetura empresarial, com vista à elaboração cuidadosa de sistemas de Tecnologia da Informação que permitam a interligação moderna e dinâmica das unidades organizacionais e suas relações com o mundo externo.

Para se beneficiar da arquitetura de negócios – visibilidade e agilidade – a arquitetura tem que refletir toda a estrutura do negócio, tanto do ponto de vista do arquiteto de negócios como do patrocinador e gestor, não se resumindo, apenas, à entrega de soluções de TI. Praticas bem sucedidas de arquitetura de negócios demonstraram que a mesma ênfase foi dada tanto aos aspectos de tecnologia como os de negócios.

Como a arquitetura de negócio é complexa e difícil de medir, pode ser dividida em uma série de diferentes visualizações, descritas a seguir:
  • Visualização de Mercado descreve os mercados nos quais o negócio opera, os perfis e ofertas dos clientes ou os produtos e serviços que o negócio oferece aos clientes nos mercados alvo. A visualização do mercado define, pelo menos parcialmente o contexto do negócio - ela concentra-se nos produtos e serviços reais e potenciais oferecidos aos clientes nos mercados escolhidos;
  • Visualização do Processo de Negócio descreve as metas significativas do negócio e esboça os casos de uso de negócios principais que suportam essas metas;
  • Visualização da Organização descreve os agrupamentos de funções e responsabilidades do negócio e a realização de casos de uso de negócios. A visualização da organização refere-se à maneira com que o negócio está estruturado para realizar casos de uso de negócios, e não às hierarquias e redes posicionais ou de equipe;
  • Visualização de Recursos Humanos descreve os perfis de remuneração e mecanismos de incentivo, características e mecanismos culturais principais, perfis de competência e mecanismos de educação e treinamento;
  • Visualização Domínios descreve os principais conceitos de negócio e estruturas de informações utilizados pelo negócio;
  • Visualização Geográfica descreve a distribuição de estrutura organizacional, função e recursos em locais físicos como cidades e países;
  • Visualização de Comunicação descreve os caminhos de comunicação do negócio.
Para a arquitetura de negócios ser bem sucedida o dirigente e a equipe responsável por arquitetura de negócios precisam ter conhecimento da real relação entre a TI e o negócio. A natureza da relação irá definir o nível de esforço requerido para encontrar um patrocinador e atender os objetivos. A relação entre arquitetura de negócios e TI é um fluxo de duas vias, pois a arquitetura de negócios é um input crítico para o planejamento de TI, a arquitetura tecnológica e para a entrega de soluções de negócios. E por outro lado, as tendências tecnológicas e as capacidades de TI influenciam nas escolhas de desenho de negócios no que se refere a capacidades, valores, processos e canais.

A disciplina arquitetura de negócios foi oficialmente estabelecida em 1987, com o desenvolvimento do Zachman Framework. Desde então, vários órgãos de padronização de TI, agências governamentais, grupos de analistas industriais e praticantes de empresas, têm definido e refinado o conceito de Arquitetura Empresarial (AE). Três das mais amplamente reconhecidas definições são do The Open Group´s Architecture Framework (TOGAF), do United States General Accounting Office (GAO), e do MITMassachusetts Institute of Technology Sloan Center for Information System Research (CISR).

  • O TOGAF descreve o propósito da Arquitetura Empresarial como o de suporte ao negócio ao “prover a tecnologia fundamental e a estrutura de processo para uma estratégia de TI”.
  • O GAO define a AE como “um anteprojeto que descreve o estado atual e desejado da organização ou sua área funcional tanto em termos lógico e técnico, como também um plano de transição entre os dois estágios”;
  • O CISR do MIT define EA como “a lógica de organização para os processos de negócios e a infra-estrutura de TI refletindo os requisitos da integração e da padronização do modelo operacional da empresa”.

Apesar das definições variarem, o documento do EA2010 Working Group aponta que os temas comuns subjacentes a elas são:
  • A Arquitetura Empresarial existe para otimizar e alinhar os recursos de TI com os objetivos/metas dos negócios;
  • Arquitetura Empresarial é manifestada como um conjunto de modelos inter relacionados; e
  • Estes modelos são caracterizados usando um meta-modelo, tais como o trabalho original de Zachman (1987) ou um dos quatro modelos operacionais do CISR.
O EA2010 Working Group 2010 observou nas discussões uma forte ênfase nas questões de tecnologia em detrimento do entendimento, e, em última instância, de uma verdadeira capacitação, dos negócios na maioria das práticas de EA vigentes. Muitas iniciativas de EA atualmente não têm um enfoque balanceado, e visões de tecnologia dominam a perspectiva.

REFERÊNCIAS: